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quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Via férrea


Georges Seurat (1881-82)

Assim como aeroportos, tenho um fascínio imenso por estradas de ferro, concreto, barro, areia... Elas podem te dissolver nas milhões de conexões que te ligam a todos os tipos de mistérios que você só vivencia nesses lugares. Estradas, nuvens e aeroportos são os elementos mais puros da surpresa, do acaso, das experiências mais bonitas. Toda vez que viajo de avião, faço empenho de me sentar perto da janela: algo tão banal como as nuvens me levam ao estado momentâneo de uma certa felicidade plena que só é superada quando a aeronave aterrissa e me encontro perdida (e encantada) nos corredores e saguões lotados de gente de todas as partes do mundo, de todas as línguas, de todos os perfumes, de todas as graças...

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Lover of Mine


"Tu dois faire ta vie toi même" - Victoria Legrand

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Geografia


Com amor, da minha querida, adorável e amada Elizabeth Bishop

E ah, como adoro encontrar passagens perdidas de poemas que você identifica na primeira página qualquer de um livro que sempre te encarou na estante!

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

an ache

O que será esse tempo todo que me foge dos pensamentos? Um intervalo para um estado puro, divino, de graça? O que chamo de dor está bem ali preso nas minhas palavras açoitadas pela mudez permanente?

Sagrada paz de espírito, atravesse essas cortinas de papel claro, as paredes que crescem fundas nos meus seios e caminhe sobre a minha pele que transpira ânsia por um destino mais visível e satisfatório.

E sabe quando o coração quer pular do peito, os lençóis misturando-se aos cabelos recém-lavados e frios, as mãos abraçando sua consciência que se estende ali, culpada, indecisa, quase morta? Chamei esse momento de meu, esmagando meus papeis sujos de tinta preta, destruindo as idealizações apresentadas na minhas patéticas ascensões ao topo das nuvens mortais do desejo.

78 botões de açúcar, 30 dias vividos entre vinho e rosas, 72 horas de embriaguez, 5 minutos de aplausos vindos com a surdez. 



E tudo termina quando essa contagem começa. A antecipação me trouxe até aqui.

sábado, 29 de junho de 2013

Outono



Sad wings where your voice was
Tears, tears, where my heart was
And ever with me
Child, ever with me
Silence where hope was
                                                                                                        Walter de La Mare

domingo, 16 de junho de 2013

Mea Culpa



Me perdoa por me deixar sucumbir ao fracasso e te guardar na minha memória pequena;

Me perdoa por achar que te amaria em homenagens medíocres expostas em palavras ainda mais fracas;

Me perdoa por querer juntar minha afeição à tua felicidade em celulóide quando na verdade era o meu medo que me guiava;

Me perdoa por tentar te admirar, te compreender, te misturar aos meus sonhos;

Me perdoa por desejar viver em função da tua obra;

Me perdoa

domingo, 2 de junho de 2013

"Traces of grace just in your honor..."


Um cigarro e um incenso no começo

No meio veio chuva

No fim chegaram flores, todas trazendo o cheiro forte e verde de folhas que depois se misturaram à água e a meu rímel que borrava minha blusa clara

E foi ali que no meio de todos aqueles gritos, das (minhas) chamadas por atenção

Ela me olhou nos olhos e disse:

I love you too

sexta-feira, 10 de maio de 2013

domingo, 5 de maio de 2013

Santuário




"O amor dos livros. Minha biblioteca é um arquivo de anseios."

Susan Sontag 

Meus livros e suas vidas escondidas me acalmam. 
Muito embora eu queira me perder neles e nunca achar o caminho de volta.

domingo, 3 de fevereiro de 2013

Lembrança

                           Saio do meu jejum e deixo as palavras com a minha querida Suze Rotolo:



"It isn't you baby, it's me and my ghost
and your holy ghost.
There is a saying about one's past catching up
with them
mine not only did that, it overran the present.
So tomorrow when the future takes hold
I'll be sitting in the background with the Surrealists."
                                                                                                                               (Janeiro de 1963)

domingo, 6 de janeiro de 2013

O continente




"Uma Mulher Para Dois era filmado de longe, em espaço e tempo, então os choques dolorosos eram amortecidos. Em As Duas inglesas e o Amor, eu quis que o público sentisse as emoções dos personagens, se possível até fisicamente. Se não tenho vergonha de dizer que gostaria o público chorasse ao vê-lo é que os atores realmente choraram enquanto o faziam"

                                                                                                                          François Truffaut (1971)

Eu senti todas essas emoções, aquelas que chegam de repente como erupções do mais cruel dos vulcões, querido Truffaut.

E as sinto até hoje...

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

Ah

E ainda me pergunto por que amo este pequeno grande idiota. Kevin Parker, seu cretino:




 Aqui com um plus do traseiro do Joe:


                            E, claro, os maiores babes e losers e wankers que a Austrália já produziu:



Feliz Ano Novo

segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

(No more) rumours


Terminar esse ano de porcaria com os lindos do Mac...
Vou botar o meu reino à venda, seguir aqueles que empalidecem na minha sombra.. (obrigada por essa, Stevie)

domingo, 16 de dezembro de 2012

Thanks, Van



"Tryin' to remember
All the wild night breezes
In your mem'ry ever
And ev'rything looks so complete
When you're walkin' out on the street
And the wind catches your feet
Sends you flyin', cryin'
Wild night is calling, alright
Wild night is calling"

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Redoma de vidro

"I will remember the kisses
our lips raw with love
and how you gave me
everything you had
and how I
offered you what was left of
me,
and I will remember your small room
the feel of you
the light in the window
your records
your books
our morning coffee
our noons our nights
our bodies spilled together
sleeping
the tiny flowing currents
immediante and forever
your leg my leg
your arm my arm
your smile and the warmth
of you
who made me laugh
again."
                                                                                                               
                                                                                                                    do grande Charles Bukowski

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Conversação

O que seria de nós sem as conversas? Conversas consigo mesmo, com os outros, com o silêncio, com Deus, com o Diabo, com a Terra, com o Sol... Algumas que tive foram vitais para mim, muito embora eu não queira mais revivê-las: misturei-me e me perdi dentro delas ...


































Elizabeth Bishop fala por nós:

O tumulto no coração
Faz um monte de perguntas.
Depois para e passa a dar respostas
No mesmo tom de voz.
Impossível ver a diferença.

Desinocentes, as conversas começam,
depois envolvem os sentidos, 
meio a contragosto.
Depois não há mais escolha,
depois não há mais sentido;

até que some
a diferença entre sentido e nome.
                                                                                                               (1955)

sábado, 27 de outubro de 2012

Lonerism



"It was sometime in October; she had long ago lost track of all the days and it really didn't matter, because one was like another and there were no nights to separate them because she never slept anymore"


Sylvia Plath - Tongues of Stone

terça-feira, 4 de setembro de 2012

Blame it on my wild heart


      Blame it on my wild heart

                                                                                                                                    Stevie Nicks

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Like the color when the spring is born


Como vou começar?

Tá. Foi em 2007, se não me engano. Abri um livro qualquer numa livraria quando me deparei com uma foto quase azul, queimando em amarelo, uma moça linda com um cigarro na mão, brincos, um colar, batom vermelho... Tudo que eu pensava quando insistia em olhar para a foto era pedir: "Não, Joni, por favor, não me olhe assim. Não me olhe assim".

Sim, ela não olha diretamente para o fotógrafo, muito menos para você, mas e daí? Naqueles meus dias de azul índigo, on a lonely road and traveling, traveling, traveling e com canções que me marcavam como tatuagens, essa foto da Joni Mitchell me falava mais alto que qualquer palavra de pesar/amor/desamor dita pela minha mais justa consciência. Pode parecer muito estranho, mas a Joni me machucava naquela época, apontando o dedo pra mim, foi só um alarme falso. Era uma dor "confortante", só para esclarecer. Eu estava começando a ver que tudo podia ser doce, mas também muito amargo.

O que contribuiu mais para o meu "pedido de súplica", foi o fato de, no livro, a foto ter sido conectada ao álbum Blue (1971), tão constante no meu som quanto a minha preocupação em tirar boas notas na escola. Pelo cabelo da Joni (?) e sua aparência, é óbvio que a foto não data do começo da década, mas do período 1974-1976, época de seu boom na indústria musical com o fabuloso Court and Spark - dá até para ouvir sua "nova" voz característica desse álbum, agora rouca e um pouco grave, mas ainda belíssima, no momento em que você olha para a foto.

Contudo, essa imagem - talvez por causa do livro - vai me ficar para sempre marcada como a foto do Blue, a foto do cigarro e do vinho de "The Last Time I Saw Richard", as rosas carmim, a voz da minha canção de ninar envolvida em névoa, cafés escuros, andarilha da chuva. E quando olho pra imagem, não imagino a Joni cantando "Raised On Robbery" ou "Free Man In Paris", mas as palavras alegres  tristes de "All I Want" para uma plateia ainda em estado de êxtase por ver aquele anjo dourado e de lábios vermelhos com um cigarro na mão cantar (ok, ela não está  tocando seu saltério dos apalaches na foto, mas whatever). 

E, no momento em que ela professa com seu piano, bem no finalzinho do show, "only a phase/these dark cafe days" e olhar para todo mundoqualquer um vai saber o que ecoa na mente da pessoa ao seu lado: "Não Joni, por favor, não me olhe assim. Não me olhe assim".

Contudo, eu olho, todos nós olhamos para ela.

Olhamos para aquela foto, para aquele sorriso. 

Olhamos para aqueles olhos. 

E, acima de tudo, olhamos para aquela música que sai deles.