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terça-feira, 23 de agosto de 2011

No meio


Olhava imagens velhas a fim de buscar inspiração - já não são os reflexos da dor nas paredes da indiferença que marcam a fraqueza nascida do acaso. Tinha medo de se acostumar à ausência, aos lençóis frios, às mãos geladas ansiosas por novas palavras.

Mas ainda estava de pé. Ainda olhava para cima, encontrava companhia na solidão, bebia goles de autossuficiência.

Engolia papos sobre santidade e sorrisos jogados na poeira;

sem arrependimentos, sem compreensão.

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Words on Fire


e com a minha própria resistência, enterro segredos sob minha pele. Por que tentar ser tão dissimulada? Olhos oblíquos de indiferença?

E se ficar muito tarde e eu não puder esperar, tenho meu gosto amargo e as vontades fracassadas.

sempre as vontades massacradas.

sexta-feira, 24 de junho de 2011

sonhos de 99 centavos


Não foi minha escolha rasgar meus vestidos, quebrar os vidros de perfume e perder os brincos em pisos gastos de indiferença fria. Foi nesse momento que achei papeis perdidos em películas de filmes e tive o sangue sugado por libélulas de asas pretas (sim, elas me machucam):

vi meus pulsos marcados pelas unhas desesperadas: eu não senti vida passar entre as veias vazias de hipocrisia, queria ver as luzes brilharem nas palavras desenhadas no vapor da minha janela da alma;

Meu Deus, por que nada sai?

minhas palavras dançaram em círculos sobre minha língua e tive que engoli-las antes de transformá-las em pensamentos. Sonhos de ouro, baldes de chuva.