Mostrando postagens com marcador confissão. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador confissão. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 12 de julho de 2013

domingo, 16 de junho de 2013

Mea Culpa



Me perdoa por me deixar sucumbir ao fracasso e te guardar na minha memória pequena;

Me perdoa por achar que te amaria em homenagens medíocres expostas em palavras ainda mais fracas;

Me perdoa por querer juntar minha afeição à tua felicidade em celulóide quando na verdade era o meu medo que me guiava;

Me perdoa por tentar te admirar, te compreender, te misturar aos meus sonhos;

Me perdoa por desejar viver em função da tua obra;

Me perdoa

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

a minha imitação da vida


Quero concentração
Ambições
Desejos e vontade de querer mais
Quero ter um gosto melhor, luzes da cidade, luzes da ribalta
Na verdade, eu queria mesmo sorrir mais
Tentar agradar menos, sentir bombons de licor, cigarros misturados à cerveja
Jogar fora esse amor proibido (e quase enterrado)
Não queria sonhar tanto com o passado - o andarilho sempre insiste em desaparecer
Duas, três vezes
E eu espero, acordo com o coração no travesseiro, calafrios e sensação térmica de natureza morta

Os meus surtos agora estão presos numa jarra de vidro, escondida atrás das minhas roupas
Mas elas têm lábios de fantasmas e chegam a três minutos de eu tomar uma decisão importante
Eu me afasto, me isolo, me prendo dentro das minhas ambições natimortas
Não quero que essa seja a minha existência-vida
O bom é sentir o gosto branco dos cubinhos de açúcar e o cheiro cremoso da manteiga que comi na Suíça
E eu sinto falta da Europa
Sinto falta de Paris, tu me manques
Ali minha vida não foi uma imitação, eu existia
Insônia que toma conta do meu inverno da alma
E de uma vida que não passa de imitação

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Redoma de vidro

"I will remember the kisses
our lips raw with love
and how you gave me
everything you had
and how I
offered you what was left of
me,
and I will remember your small room
the feel of you
the light in the window
your records
your books
our morning coffee
our noons our nights
our bodies spilled together
sleeping
the tiny flowing currents
immediante and forever
your leg my leg
your arm my arm
your smile and the warmth
of you
who made me laugh
again."
                                                                                                               
                                                                                                                    do grande Charles Bukowski

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Like the color when the spring is born


Como vou começar?

Tá. Foi em 2007, se não me engano. Abri um livro qualquer numa livraria quando me deparei com uma foto quase azul, queimando em amarelo, uma moça linda com um cigarro na mão, brincos, um colar, batom vermelho... Tudo que eu pensava quando insistia em olhar para a foto era pedir: "Não, Joni, por favor, não me olhe assim. Não me olhe assim".

Sim, ela não olha diretamente para o fotógrafo, muito menos para você, mas e daí? Naqueles meus dias de azul índigo, on a lonely road and traveling, traveling, traveling e com canções que me marcavam como tatuagens, essa foto da Joni Mitchell me falava mais alto que qualquer palavra de pesar/amor/desamor dita pela minha mais justa consciência. Pode parecer muito estranho, mas a Joni me machucava naquela época, apontando o dedo pra mim, foi só um alarme falso. Era uma dor "confortante", só para esclarecer. Eu estava começando a ver que tudo podia ser doce, mas também muito amargo.

O que contribuiu mais para o meu "pedido de súplica", foi o fato de, no livro, a foto ter sido conectada ao álbum Blue (1971), tão constante no meu som quanto a minha preocupação em tirar boas notas na escola. Pelo cabelo da Joni (?) e sua aparência, é óbvio que a foto não data do começo da década, mas do período 1974-1976, época de seu boom na indústria musical com o fabuloso Court and Spark - dá até para ouvir sua "nova" voz característica desse álbum, agora rouca e um pouco grave, mas ainda belíssima, no momento em que você olha para a foto.

Contudo, essa imagem - talvez por causa do livro - vai me ficar para sempre marcada como a foto do Blue, a foto do cigarro e do vinho de "The Last Time I Saw Richard", as rosas carmim, a voz da minha canção de ninar envolvida em névoa, cafés escuros, andarilha da chuva. E quando olho pra imagem, não imagino a Joni cantando "Raised On Robbery" ou "Free Man In Paris", mas as palavras alegres  tristes de "All I Want" para uma plateia ainda em estado de êxtase por ver aquele anjo dourado e de lábios vermelhos com um cigarro na mão cantar (ok, ela não está  tocando seu saltério dos apalaches na foto, mas whatever). 

E, no momento em que ela professa com seu piano, bem no finalzinho do show, "only a phase/these dark cafe days" e olhar para todo mundoqualquer um vai saber o que ecoa na mente da pessoa ao seu lado: "Não Joni, por favor, não me olhe assim. Não me olhe assim".

Contudo, eu olho, todos nós olhamos para ela.

Olhamos para aquela foto, para aquele sorriso. 

Olhamos para aqueles olhos. 

E, acima de tudo, olhamos para aquela música que sai deles.

sábado, 7 de julho de 2012

Ode a Paul Simon

Paul Simon, me ajude

Confirme para mim que tenho minha poesia e meus livros para me protegerem

Que eu voltarei para a Inglaterra França, onde se estende o meu coração

Que eu ainda estou louca depois de todos esses anos

Que eu ainda continuo sendo aquela alma dúbia - eu só faço o que quero, mas não sei o que quero  realmente

Ou que meu lar é realmente aqui, onde meu amor se estende me esperando em silêncio


Que eu sou uma rocha - e uma rocha não sente dor. E uma ilha nunca morre.

E que tempos foram aqueles, hein? Tempos de inocência e confidências... 

E, acho que faz meses (que mais parecem anos), ainda tenho uma única fotografia

Eu preservo as minhas lembranças - mesmo que ruins, acredite - porque elas são o que me resta.

Que eu saia por aí procurando a América, a Europa, o meu quarto, a minha casa, a minha vida.

Só um último pedido: cante uma música, uma música pra os pedintes, pedintes como eu

só assim deixo de ser essa água turbulenta - mesmo sem ponte para se estender sobre ela

sexta-feira, 22 de junho de 2012

A (s) pergunta (s)



"I don't know if you've ever felt like that. That you wanted to sleep for a thousand years. Or just not exist. Or just not be aware that you exist. Or something like that. I think that wanting that is very morbid, but I want it when I get like this. That's why I'm trying not to think. I just want it all to stop spinning."
                                                                                           
                                                                                                            The Perks of Being a Wallflower

Ou aquela vontade se sumir por um dia ou dois, até mesmo viver sem livros, filmes ou músicas, abandonar sonhos, pais, amigos, amores, se abandonar.

Preciso me perder umas três vezes para depois me encontrar outras quatro.

Mas o pior que a juventude está aí, o tempo está aí, as cobranças estão aí... As promessas de auto-superação também.

 Levaram-me a tortura e deixaram o tormento, laços escarlates que me sufocam o pescoço com fina ironia. E eu só queria sentir o não-existir, o não-parecer e o não-tocar, sumir da realidade do (não-) viver

Mas a gente não pode parar. Não pode.

sexta-feira, 8 de junho de 2012

Undertow



E hoje me bateu a angústia que vem com o fim do dia, calma, soluçante, despercebida;
E hoje me bateu a a lembrança da triste volta, camisas xadrez, palavras esparsas;

Os comentários que me surgem na cabeça: "Você nunca vai deixar isso ir", "Apenas morda as mãos de forma egoísta, feche os olhos ardidos em sal do mar, ande com os amigos, sem emoção, sem passado, sem futuro"

E ontem sonhei com Paris de novo, duas vezes. A Cardinal Lemoine, a exposição da Diane Arbus, a foto escura em frente a um cartaz do Andy Warhol. Eu sonhei com Paris de novo.

De novo.

Nós nunca teremos Paris. Só eu tive Paris. Paradoxalmente.

domingo, 3 de junho de 2012

A testemunha

"Pode haver a garota esperando, o beijo no escuro, o sussurro de uma promessa, o sol no parque ou o cisne no lago, o trabalho para mim e o trabalho para ele e para ele, a bandeira tremulando ousada e livre para sempre, e vezes e vezes seguidas o garoto bonito encontrando a bela garota, e a procura e a captura de todo esse belo amor. Isso poderia ser o melhor que existe no mundo... Mas eu não vejo as coisas assim. Nunca verei. Eu simplesmente não enxergo assim."


                                                                                                                     

                                                                                                                      Patricia Highsmith, 1942

segunda-feira, 28 de maio de 2012

A tarefa

Essa obrigação de escrever sobre tudo que vejo, falar sobre isso e aquilo, impressões que nem tenho na superfície...

Tudo isso me arranca os nervos, o desejo cítrico de continuação. Eu só quero ver e sentir tudo dentro de mim.



Será que é tão difícil?

segunda-feira, 30 de abril de 2012

Sal de prata


Sabe qual a minha maior vontade neste momento?

Passar um domingo inteiro na praia. Seria cedinho, até lavaria os cabelos antes. Tomaria uma xícara de chá preto com duas bolachas e sairia antes do sono me levar. E comigo iria um disco do Best Coast e um soul do Ottis Redding.

Eu demoraria um pouco para entrar no oceano, só para sentir o calor do sol na minha pele. Daí eu me levantaria e andava devagar até a água. Ficava lá um bom tempo, porque o mar me faz pensar nas coisas que nem consigo lembrar quando estou na terra. Ia mais fundo, até onde meus pés pudessem alcançar e mergulhava para sentir aquele sal nos cabelos e no corpo.

(É importante observar que, muito embora a maioria vai à praia com alguém, também é bom ir sozinho, principalmente na hora de capturar as ondas.)

Eu sairia da água com os cabelos duros de tanto sódio, a boca cortada de espumas - mas a minha parte que atormenta, que machuca e chora ficaria afogada bem no fundo, bem no fundo do oceano.

Quando fosse o momento de chegar em casa, eu comeria com a fome dos que pedem amor, porque o mar te faz sentir-se assim, apaixonado, nem que seja por nada. Mas antes tomaria banho de água doce, beberia essa água e sentiria o doce misturar-se ao salgado do mar da minha boca, como o açúcar que se dissolve na língua depois que a gente prova uma torta de canela e maçã.

E, por fim, eu teria um sono misturado a lençóis com o mesmo cheiro do meu hidratante de manga e laranja, mesmo sentindo os músculos mergulhados na água. Alguém aí já teve a sensação de, depois de sair do mar, anda achar que está dentro dele? Porque eu ainda consigo sentir as ondas se mexerem perto do meu travesseiro...

Eu acordaria na segunda-feira com os cabelos cheirando a sal e iria para a aula ainda com os olhos ardidos, o algodão da roupa tocando as conchas nos bolsos.

 Tudo isso para querer voltar, mais uma vez, para o mar.

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Aprendendo a viver


"Quero dizer, o poder de viver uma vida completa, adulta, uma vida que aspire ao contato mais estreito com o que eu amo - a terra e as maravilhas que nela existem - o mar - o sol - ... .... depois eu quero trabalhar. Em quê? Eu quero tanto viver, que eu trabalho com as minhas mãos e os meus sentimentos e meu cérebro. Eu quero um jardim, uma pequena casa, grama, animais, livros, quadros, música."

Katherine Mansfield

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Vou deixar o ofício de escrever para aqueles que o dominam;

Abstenho-me de qualquer tentativa;

Depois de uma noite de muita insônia, percebi muito tarde que só nasci para contemplar;

Contemplar e viver dessa contemplação.


Ainda me restam dois meses de alegria disfarçada.

quinta-feira, 15 de março de 2012

Pelas rosas



Foram só sonhos, minha querida

Foram só sonhos e alarmes falsos

E eu tentei tanto, mas você não estava no meu sangue como vinho sagrado

Você não era meu pai, nem meu filho, meu amante ou minha dor e tristeza;

Eu me forcei, mas eu não me senti como se tivesse acabado de nascer

ou como um relâmpago que irrompe na tempestade.

Talvez eu nunca tenha realmente amado, eu passei minha vida inteira em nuvens de altitudes frias.

E eu só estava lá, querendo me sentir ouvida por canções de amor ou até podia ser pelo silêncio, pelo toque, pelo tato dos dedos sobre a minha pele fria

Mas eu estava lá, eu juro que estava. E eu sei que pareço ingrata com os dentes enterrados nas mãos, mas isso me traz coisas das quais ainda não posso desistir;

vou tomar um banho frio e tirar toda essa poeira do meu corpo mudo, sentir o cheiro e me ferir nessas rosas nunca enviadas, nessas rosas que são exatamente um alarme falso, o mesmo que eu não sabia que vivia até ele me ferir;

é assim que eu escondo a mágoa, enquanto a estrada segue bela e amaldiçoada;

e a minha vontade de ir. A minha vontade de sair e meu grito frio de triunfo.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Bem alto


"Além do mais, não tenho paciência com gente que não consegue desprender-se das coisas, que continua indo atrás delas e se lamenta. Quando algo acabou, então acabou. Chegou ao fim e pronto. Deixe ir! Ignore e console-se, caso queira consolar-se, com o pensamento de que jamais se recupera a mesma coisa que se perdeu. Sempre será uma coisa nova. No momento em que nos deixa, ela se modifica. Isso é verdade até mesmo em relação a um chapéu de que se corre atrás; e eu não me refiro a um plano superficial, mas a um plano profundo... Jamais lamentar, jamais olhar para trás: fiz disso uma regra de vida. Lamentar-se é um estarrecedor desperdício de energia, e ninguém que pretenda ser escritor pode se permitir tamanha indulgência. Não se pode dar forma a isto; a partir disso nada se pode construir; serve apenas para a gente chafurdar. Claro que olhar para trás é igualmente fatal para a Arte. É manter-se pobre. A Arte não pode e não suportará a pobreza."

Katherine Mansfield, 1920

E ainda estou de pé.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Fakin' It

"I'm such a dubious soul
And a walk in the garden
Wears me down
Tangled in the fallen vines
Pickin' up the punch lines
I've just been fakin' it,
Not really makin' it"

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Run

Quem tira os gritos da minha garganta, soltos em pálpebras quentes de dias que mais parecem noites? E a minha voz é a unica que fala, a única que vive, a única que corre contra o tempo.

Serão necessárias punhaladas frias em todos os meses passados, nos sorrisos amargos escondidos em lençóis de florzinhas cor-de-rosa?

Sete mil notas de indiferença, sete horas de "desculpa, desculpa, desculpa", segredos de segunda mão,

acharam o caminho para o que não podem me explicar.

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Release me

Uma vez me perguntei o que fizeram com meus desenhos feitos

e pintados

na infância.

Expectativas mortas?

Tintas borradas em rastros deixados por ladrões que me levaram areia da praia?

é o caos cansado de guerra

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Este lado do paraíso

Cacos de vidro enterrados por seis meses:


Sorry, mr. Bangs;
Mr. Crowe;
Mr. Bernstein;
Mr. Woodward;

mas a verdade que eu tanto procurava estava escondida na minha pele;
no meu sangue;
nas unhas roídas.

Não, eu não matei a espera. Só não a deixei respirar.

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

A secret


Eu tinha um coração secreto dentro de mim e nem mesmo sabia como deixá-lo vivo. Eu tinha felicidade pequena que deixava meus lábios mais doces toda vez que ela se prendia neles. Eu tinha perfumes escondidos nos meus lençóis engomados que foram de refúgio a moradia. Eu tinha 57 tentativas, 39 rótulos de esperanças, 26 ideias de um futuro amargo e apenas 1 tipo de amor.

Eu tinha um caminho a seguir, uma língua a falar, um lugar para estar e três para cair;

E para onde vão as pessoas felizes?

Demorou muito, mas finalmente vi que elas não estão dentro de si mesmas.

Estão dentro de quem está ao lado delas.