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quinta-feira, 10 de maio de 2012

sábado, 7 de abril de 2012

full and hollow

Talvez eu tentasse conhecer meus medos antes de enfrentá-los


Pelo menos uma vez na minha vida

sábado, 31 de março de 2012

Cópias


E, de repente, você se dissolveu nas minhas lembranças diárias, na minha rotina morna e calma, às vezes apressada. Mas é tão difícil te perceber nela, já que eu também me misturo em tudo que vivo. É como aquele sal da água do mar, você nem sabe que está ali. Mas aí você abre os olhos sob a água e eles começam a arder.

Não digo que, ao te ver dissolvido em mim, você vá provar meus gostos ou seguir minhas palavras ditas no meu silêncio. Pelo contrário. A cada dia que passa, sua presença se torna tão transparente, natimorta e silenciosa, que todas as suas descobertas ou que te fazia sentir-se vivo e pulsante dentro de mim agora são meus segredos de segunda mão, aqueles que você diz para todo mundo, mas para você eles ainda são secretos, porque você quer guardá-los para garantir que eles sempre foram seus.

Eu tenho a cópia das chaves, nunca fiquei do lado de fora. Eu sorri, guardei esse sorriso por um tempo e depois eu descobri a resposta para o que me corroía os meses: "Eu seria a mesma se deixasse tudo isso para trás?". Essa é a minha vida e, mais uma vez, eu tenho a cópia das chaves.

Eu experimentei um pouco de dor por tudo que eu não consegui explicar, viver ou criar. E ainda sinto essa dor, mas não tão viva quanto estas palavras que me saltam da consciência. Mas dissolvida, transparente, silenciosa e natimorta na minha rotina morna e às vezes apressada, na minha rotina que me ajudou a juntar os pontos, as vírgulas e os travessões que me faltavam na fala e nas ações. Eu já consigo sentir o gosto da menta, os acordes das músicas que só me apareciam nos sonhos perturbados ou nas imagens inventadas.

Achei a cópia das chaves.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

How does that...


Mulher de olhar triste das terras baixas

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Here

Onde eu reconheço os sinais

vejo sal de água do mar, areia de vasos de planta, poeira de estrelas mortas

calor de sensações distraídas

eu só queria um minuto, dois segundos

um dia inteiro

Viver sob o ar, rasgar as roupas e jogá-las pela janela, andar vinte mil estradas

e eu te espero nas pontas dos meus dedos, andarilho da chuva

e nos sons de nove palavras

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Vinho sagrado

Só queria tomar champanhe na cozinha numa sexta à noite



ou dançar Cheek to Cheek com movimentos em preto-e-branco


quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Kissing Song


They feel nothing


But the kissing

sábado, 24 de setembro de 2011

Toes


Como ser tão constante como uma estrela do Norte?

Ou se manter viva sobre o fio transparente que se desdobra duas vezes sobre a indiferença?

é comum ainda estar de pé? Estar bem na frente, atrás do mundo, à esquerda do indesejado?

Parece que a rotina te manda sinais de ocupação: "Não olhe para atrás, ser forte é só pra quem sabe o que é ser forte."

é como se só veias já não fossem necessárias para segurar um coração, um corpo e uma alma

e eu juro que ouço aplausos, gritos de satisfação, cabelos cortados e crescidos.

é a vontade de magoar, abrir feridas, machucar as palavras e os livros.

Não se exponha ao perigo e à insegurança. Ande sobre a ponta dos pés

saiba o que pensar, onde achar o silêncio no barulho

encoste teu ouvido no peito de uma estátua triste, abra a porta para entrar o inesperado;

Venha, mude teu jardim abandonado, planeje as cores da parede de tua casa.

Teu pedido é meu comando

domingo, 18 de setembro de 2011

Senso Comum


Sai de mim, silêncio

para que eu possa gritar em cima do espelho partido do esquecimento;

Sai de mim, silêncio

para que então eu saia da via-crúcis da vida para entrar na do sonho;

Sai de mim, silêncio

rasga-me o véu dos passos contidos para que eu possa andar em selva de pedra;

Sai de mim, silêncio

rouba-me o caos, tira-me o nada, apresenta-me às impossibilidades;

Sai de mim, silêncio

mostra-me o meu negativo, os contrários, a cidade das almas perdidas;

Sai de mim, silêncio

Sai de mim

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Movimento no 1


com a montanha e a manhã nas costas, tirei meus brincos, o relógio, a pulseira e as sandálias cor-de-rosa para mover-me bem a tempo de não descobrir o que tocava a milhas e milhas.

eu podia ver por milhas e milhas, pneus de carro numa estrada de terra batida;

quem aí consegue encontrar as palavras?

terça-feira, 17 de maio de 2011

grito frio de triunfo


"I get the urge for going
But I never seem to go

I get the urge for going

When the meadow grass is turning brown

Summertime is falling down and winter is closing in"

para onde?

segunda-feira, 16 de maio de 2011

azul triste, doce fogo


Deitar sobre um lençol de grama molhada às quatro da manhã não me fez querer falar com o que eu não conhecia até aquele momento. Todo o dinheiro, as sombras e a água que caía da fonte de leões pretos só me atingiam na hora que eu me esquecia do que estava bem ao meu lado. Não precisei concentrar meus desejos num campo de conversas esquecidas ou ouvir os aplausos que se misturavam aos vestidinhos falsos que corriam sobre as pedras sujas de hipocrisia.

Não me lembro de nada, meu cabelo se enroscava à insanidade que me saía através dos poros que transpiravam a vontade dos refugiados nas estradas.

Levantei-me com minha blusa suja de terra fria. O desenho da BB cheirando a perfume, a última garrafa quebrada por acidente e o dia começando às nove.

quarta-feira, 11 de maio de 2011

sem mais


Sabe qual a nova mania?

Prender os cabelos bem alto, só para não vê-los cair nos ombros durante todo o dia.

Tudo isso para sentir a consciência arranhar o pescoço com o vento frio e não reconhecer o que nos toca de forma inesperada

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Nem aí

De manhã


aqui estamos nós dentro dos anos passados em sonhos;

tentaram ler minhas mãos, mas só encontraram pinturas vindas de orações esquecidas em linhas empoeiradas;

levante a cabeça, não deixe mais nada acontecer

assista a filmes e coma suas imagens, derreta os movimentos no céu da boca, vista os sons em atos transparentes entre unhas de cores cegas;

venda o mundo e compre-o de novo, das massas para as massas;

como foi mesmo aquele último ano passado em Marienbad?

ah, as árvores nem faziam sombra sob o sol,

só lembro que lavei meus cílios com água de chuva

terça-feira, 3 de maio de 2011

Exílio


Você está irradiando glória sobre mim

Glória

E eu olho para baixo achando que ela vem do chão

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Colheita


E nem olhava para a cara de quem a segurava. Dormia num quarto separado, quando na verdade eram eles eram mais que um;

Escondida na concha vazia, já ouvia aquelas palavras agora pronunciadas sem uma cor que as definisse, frases que juntassem os sentidos em lapsos de segundos trancados em seis lugares invisíveis;

O pescoço quente e frio, o chocolate engolido à força em colheres presentes a cada cinco minutos, o corpo inerte em peso morto de aurora;

e eu tateava o teto, soltava as mãos, ouvia o silêncio preenchido com palavras absurdas deitadas em cansaço e decepção. Quem ali conhecia a verdade? Quem ali sabia o que estava fingindo?

Peça para eles pularem mais alto, viverem mais décadas, pararem de se importar.

Beijei a cova com a cabeça dentro d'água. E tudo ainda continua a esquentar.

sexta-feira, 18 de março de 2011

Debris (II)


antes sozinha que carregar olhos fundos cheios de esperança fria.

Senti hoje na pele a dificuldade de crescer, de estar num nível acima do que você deseja, de enxergar o que não se pode ver pelos lados. Vi minhas unhas sujas misturadas à tinta azul e ao suor desesperado, o tempo contado em segundos, os 60 minutos em dois pés de unhas roxas.

E não dá tempo de sonhar, de viver mentiras, de levar tapa na cara ou encher a cabeça de ondas perversas de sons invisíveis. Não dá tempo de formar ideias, de chorar pelo que não aconteceu, de fazer escolhas estúpidas para no fim cair no buraco da mediocridade.

e o que eu chamo de um copo cheio até as bordas nem começou.

terça-feira, 8 de março de 2011

Wanderlust


eu nunca pedi para ser sua montanha.

Foi no minuto que a gente ouviu aquela canção misteriosa que fez as borboletas balançarem dentro do nosso estômago, o gosto metálico do que nunca pudemos ter pedindo para sair nos gritos mudos que só a gente ouvia.

Ferimos os pés em cercas de arame farpado, escrevemos textos absurdos com spray lilás nas asas de uma borboleta, desejamos que o dia se dissipasse só para ver o próximo chegar;

E a gente nem se lembrava muito um do outro: eu sabia que todo o meu sofrimento corria solto sobre seus joelhos na luz daquela festa que só existia na sua cabeça;

Eu me lembro daqueles últimos quinze minutos passados num fone de ouvido, 46 discos em músicas de um minuto, a graça e a ansiedade pelo que vinha a seguir. Hahaha, Music From Big Pink e Blood On The Tracks ainda estão na minha cabeça como fotos quentes tiradas ao meio-dia. Várias mãos nos empurrando para fora, aquele riso idiota que vem nas situações mais inesperadas.

E eu abracei o que já era inevitável numa fúria bêbada vestida em blusa vermelho-sangue, os lapsos me atropelando em visões cinzas que eu só tocava depois que o branco desapareceu da minha retina embaçada de orgulho ferido.

eu nunca pedi para ser sua montanha.

Eu nunca achei que fosse fácil ser corajosa, como quando descobri o gosto da adoração e tudo o que me trouxeram foram espadas, martelos e agulhas. "A woman must have everything", não é assim que eles dizem?

E sim, eu achava que parecia ingrata com meus dentes enterrados nas mãos, mas isso era só para me lembrar do que eu ainda não conseguia desistir.

A gente não compartilhou nada, não viveu nada, não formou uma palavra de catorze letras ou viu as cordas daquele baixo nunca comprado. E eu sabia que, durante todo esse tempo, minha alma permanecia presa numa caixa vagabunda debaixo da cama.

Eu nunca contei meus desafios ou minhas vitórias numa sombra de conquistas de cor escarlate.

Eu nunca me curvei diante das possibilidades abertas na palma da minha mão.

eu nunca pedi para ser sua montanha. Nunca.
(1979)

quarta-feira, 23 de junho de 2010

correspondência

Já sinto que meu espaço caiu numa prova de fogo. Para que esperar a noite cair, ela me disse, se a noite por si só já está dentro de mim ?!

A cortina abre, uma luz vermelha entra no quarto, bate nas cinzas sobre os livros e ilumina aquele quadro com uma nuvem azul no meio da paisagem que eu costumava vestir para dormir.

Eu já me misturei àquela luz.

e o que restou de mim?

.poeira misturada em mágoa para exposição