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sexta-feira, 6 de setembro de 2013
segunda-feira, 27 de agosto de 2012
Like the color when the spring is born
Como vou começar?
Tá. Foi em 2007, se não me engano. Abri um livro qualquer numa livraria quando me deparei com uma foto quase azul, queimando em amarelo, uma moça linda com um cigarro na mão, brincos, um colar, batom vermelho... Tudo que eu pensava quando insistia em olhar para a foto era pedir: "Não, Joni, por favor, não me olhe assim. Não me olhe assim".
Sim, ela não olha diretamente para o fotógrafo, muito menos para você, mas e daí? Naqueles meus dias de azul índigo, on a lonely road and traveling, traveling, traveling e com canções que me marcavam como tatuagens, essa foto da Joni Mitchell me falava mais alto que qualquer palavra de pesar/amor/desamor dita pela minha mais justa consciência. Pode parecer muito estranho, mas a Joni me machucava naquela época, apontando o dedo pra mim, foi só um alarme falso. Era uma dor "confortante", só para esclarecer. Eu estava começando a ver que tudo podia ser doce, mas também muito amargo.
O que contribuiu mais para o meu "pedido de súplica", foi o fato de, no livro, a foto ter sido conectada ao álbum Blue (1971), tão constante no meu som quanto a minha preocupação em tirar boas notas na escola. Pelo cabelo da Joni (?) e sua aparência, é óbvio que a foto não data do começo da década, mas do período 1974-1976, época de seu boom na indústria musical com o fabuloso Court and Spark - dá até para ouvir sua "nova" voz característica desse álbum, agora rouca e um pouco grave, mas ainda belíssima, no momento em que você olha para a foto.
Contudo, essa imagem - talvez por causa do livro - vai me ficar para sempre marcada como a foto do Blue, a foto do cigarro e do vinho de "The Last Time I Saw Richard", as rosas carmim, a voz da minha canção de ninar envolvida em névoa, cafés escuros, andarilha da chuva. E quando olho pra imagem, não imagino a Joni cantando "Raised On Robbery" ou "Free Man In Paris", mas as palavras alegres tristes de "All I Want" para uma plateia ainda em estado de êxtase por ver aquele anjo dourado e de lábios vermelhos com um cigarro na mão cantar (ok, ela não está tocando seu saltério dos apalaches na foto, mas whatever).
E, no momento em que ela professa com seu piano, bem no finalzinho do show, "only a phase/these dark cafe days" e olhar para todo mundo, qualquer um vai saber o que ecoa na mente da pessoa ao seu lado: "Não Joni, por favor, não me olhe assim. Não me olhe assim".
Contudo, eu olho, todos nós olhamos para ela.
Olhamos para aquela foto, para aquele sorriso.
Olhamos para aqueles olhos.
E, acima de tudo, olhamos para aquela música que sai deles.
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quinta-feira, 29 de março de 2012
quinta-feira, 15 de março de 2012
Pelas rosas

Foram só sonhos, minha querida
Foram só sonhos e alarmes falsos
E eu tentei tanto, mas você não estava no meu sangue como vinho sagrado
Você não era meu pai, nem meu filho, meu amante ou minha dor e tristeza;
Eu me forcei, mas eu não me senti como se tivesse acabado de nascer
ou como um relâmpago que irrompe na tempestade.
Talvez eu nunca tenha realmente amado, eu passei minha vida inteira em nuvens de altitudes frias.
E eu só estava lá, querendo me sentir ouvida por canções de amor ou até podia ser pelo silêncio, pelo toque, pelo tato dos dedos sobre a minha pele fria
Mas eu estava lá, eu juro que estava. E eu sei que pareço ingrata com os dentes enterrados nas mãos, mas isso me traz coisas das quais ainda não posso desistir;
vou tomar um banho frio e tirar toda essa poeira do meu corpo mudo, sentir o cheiro e me ferir nessas rosas nunca enviadas, nessas rosas que são exatamente um alarme falso, o mesmo que eu não sabia que vivia até ele me ferir;
é assim que eu escondo a mágoa, enquanto a estrada segue bela e amaldiçoada;
e a minha vontade de ir. A minha vontade de sair e meu grito frio de triunfo.
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domingo, 19 de fevereiro de 2012
A Resposta (II)
"But the smell of the world came into my lungs
The sound of the gravel when my legs went numb
And my heart nearly burst right out of my chest
And it felt so good to know I wasn't dead"
(Kathleen Edwards)
Engraçado como qualquer pessoa pode encontrar o que falta dentro ou fora de si na letra de uma música. É aquela sensação de ver a si mesmo exposto em sons de baixos, baterias,vozes nítidas, em palavras em francês, alemão, inglês, português, violão alegre, violão triste, letras de homens e mulheres que você provavelmente nunca vai conhecer. E tudo isso leva o ouvinte a perguntar como aquela canção foi feita, o que levou o compositor a escrevê-la. "Ora, mas esse aí sou eu!"

É quando uma música de 2 minutos vira uma de 23, toda a melodia vira uma só palavra e, às vezes você se pergunta se somos todos iguais por sentirmos as mesmas coisas quando estamos apaixonados, com raiva ou simplesmente deslumbrados - porque a identificação com uma música ocorre quando você menos espera. Experimente ouvir seu disco favorito ou até aquele que você às vezes ouve no carro ou só escuta uma ou duas faixas. Melhor que escutá-lo com fones de ouvido, é sentar-se bem próximo ao aparelho (para quem ainda cultiva este hábito) e tentar prestar atenção às letras, vale até colar. Acredite, é uma ação surpreendente (Fiz isso com Another Side of Bob Dylan há alguns meses - para nunca mais largar o disco).
O ato de escutar fica ainda melhor se você tem a capa do álbum nas mãos. Ok, nessa era de downloads, iTunes e Lastfm ninguém tem mais a coragem de dar 30 reais num disco. Mas parece que o ouvir fica mais físico, vivo e música chega a você mais diretamente só em segurar a imagem que a contém. Escutar o Blue (1971) da Joni Mitchell dá uma ideia da dimensão desse ato: o azul da capa transborda nas mãos, a sua tristeza queima nas letras impressas:

"Blue, songs are like tattoos
You know I've been to sea before
Crown and anchor me
Or let me sail away
Hey Blue, here is a song for you
Ink on a pin
Underneath the skin
An empty space to fill in"
Crown and anchor me
Or let me sail away
Hey Blue, here is a song for you
Ink on a pin
Underneath the skin
An empty space to fill in"
A nossa resposta pode chegar em forma de versos, canções como tatuagens, mensagens simples, cifradas ou pretensiosas, escritas atrás de um mapa do Canadá, em papeizinhos vagabundos, agendas compradas na Quinta Avenida ou simplesmente feitas com um violão ou um piano no meio de uma sala em cinco minutos. E, de repente, você se torna a música que ouve.
sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012
sábado, 16 de julho de 2011
some (where)
terça-feira, 17 de maio de 2011
grito frio de triunfo

"I get the urge for going
But I never seem to go
I get the urge for going
When the meadow grass is turning brown
Summertime is falling down and winter is closing in"
para onde?
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quarta-feira, 20 de abril de 2011
Tá decidido

Talvez eu vá pra Amsterdã
Talvez eu vá pra Roma
Daí eu vou alugar um piano enorme
E colocar flores em todo o meu quarto
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domingo, 17 de abril de 2011
Cor: azul

Tive um sonho tão bobo nessa última tarde. Não, na verdade foram sonhos dentro de sonhos, uma massa amorfa que ainda está presa no meu inconsciente confuso. Enfim, num desses sonhos minha mãe entra no meu quarto, me acorda e diz que a Joni Mitchell está na sala, quer pintar um quadro e falar comigo. Comecei a chorar e a tremer, pus as mãos no rosto e senti o cheiro do shampoo nos meus cabelos lavados na noite anterior.
Levantei e comecei a escolher qual disco dela eu levaria para ser autografado. (Por incrível que pareça, no sonho eu tinha todos, quando, na realidade, o único disco original que eu tenho é o Hejira.) Escolhi o Clouds, The Hissing Of Summer Lawns e o Shine. Esse último eu nem sabia que tinha, encontrei debaixo de um disco do Neil Young (?).
Eu me lembro até das perguntas que eu faria: "Pra quem você escreveu Woman Of Heart and Mind? My Old Man era pro Graham Nash? E Raised On Robbery? Adorei o fato dessa música ter sido escolhida como single!"
Corri para o corredor, mas minha mãe disse que ela já tinha ido embora. Demorei demais pensando no que poderia acontecer. Tudo que me lembro era da jaqueta jeans azul clara que a Joni estaria usando, da franja em sua testa e do seu batom vermelho. As únicas coisas que me ficaram foram o cheiro de cigarro sobre o sofá e a xícara de café vazia com dois pincéis sujos de tinta azul.
Depois disso, chegaram sonhos atrás de sonhos, eu chorava, ria, sentia calor e frio, começava e terminava, vivia e morria, acordava para depois dormir de novo. Num deles, fui à biblioteca do meu antigo colégio, aluguei uma biografia gasta da Clarice Lispector, quatro livros velhos sobre a Sylvia Plath e ainda tentei levar um CD do Crosby & Nash que eu nunca tinha visto (não, ele não existe!), mas não consegui.
Nem sei, mas acho que esses sonhos vieram para me falar da natureza das minhas escolhas, dos sentimentos loucos que tomam conta de mim quando me atrevo a guardar meus medos e problemas no lugar de tirá-los do meu caminho, de continuar o que havia parado, de correr riscos, de cair cega, surda e muda. Eu ampliei minha sensibilidade.
Eu me lembro até das perguntas que eu faria: "Pra quem você escreveu Woman Of Heart and Mind? My Old Man era pro Graham Nash? E Raised On Robbery? Adorei o fato dessa música ter sido escolhida como single!"
Corri para o corredor, mas minha mãe disse que ela já tinha ido embora. Demorei demais pensando no que poderia acontecer. Tudo que me lembro era da jaqueta jeans azul clara que a Joni estaria usando, da franja em sua testa e do seu batom vermelho. As únicas coisas que me ficaram foram o cheiro de cigarro sobre o sofá e a xícara de café vazia com dois pincéis sujos de tinta azul.
Depois disso, chegaram sonhos atrás de sonhos, eu chorava, ria, sentia calor e frio, começava e terminava, vivia e morria, acordava para depois dormir de novo. Num deles, fui à biblioteca do meu antigo colégio, aluguei uma biografia gasta da Clarice Lispector, quatro livros velhos sobre a Sylvia Plath e ainda tentei levar um CD do Crosby & Nash que eu nunca tinha visto (não, ele não existe!), mas não consegui.
Nem sei, mas acho que esses sonhos vieram para me falar da natureza das minhas escolhas, dos sentimentos loucos que tomam conta de mim quando me atrevo a guardar meus medos e problemas no lugar de tirá-los do meu caminho, de continuar o que havia parado, de correr riscos, de cair cega, surda e muda. Eu ampliei minha sensibilidade.
sábado, 2 de abril de 2011
Just Like This Train

I used to count lovers like railroad cars
I counted them on my side
Lately I don't count on nothing
I just let things slide
I counted them on my side
Lately I don't count on nothing
I just let things slide
E no final eu achei esse banco vazio numa sala de espera cheia de gente (Todo mundo esperando).
Ah, eu não consigo achar minha bondade, não consigo achar minha bondade, você não consegue achar sua bondade, porque eu perdi meu coração, ah, uvas azedas, porque eu perdi meu coração.
Cada um conta com a curva dos ombros e com o cheiro quente do creme de hortelã sobre a pele só para descobrir que seu sangue é de whisky barato.
Pus meu vestidinho branco só para disfarçar.
ná.
Ah, eu não consigo achar minha bondade, não consigo achar minha bondade, você não consegue achar sua bondade, porque eu perdi meu coração, ah, uvas azedas, porque eu perdi meu coração.
Cada um conta com a curva dos ombros e com o cheiro quente do creme de hortelã sobre a pele só para descobrir que seu sangue é de whisky barato.
Pus meu vestidinho branco só para disfarçar.
ná.
terça-feira, 22 de março de 2011
Chaleira de café

Conversando com um amigo em pleno Facebook a respeito de nosso amor pela Joni Mitchell, escrevi umas palavrinhas tão bobas que só me pareceram reais e verdadeiras vinte minutos depois:
"vamo casar com ela? A gente ia ter um gato, uma chaleira com café numa casinha em Laurel Canyon e um Saltério dos Apalaches pra ela cantar A Case Of You o dia inteiro pra gente".
Sei lá, de repente chegou aquela sensação que vem de lembranças guardadas dentro de bolsos e caixinhas, a cor verde de roupinhas de aniversário, pingentes de gelo que derretem no telhado quando chega o verão, vasos de florzinhas vagabundas guardados em estantes que cheiram a madeira antiga. Tive aquele frio que corre as veias dos pés quando a gente acorda pela primeira vez, um barril de porquês que eu podia beber o dia inteiro e ainda assim ficar de pé.
Eu sopraria bolhas de sabão no meio da sala, dançaria descalça por cima do tapete de retalhos coloridos e me pintaria daquele azul lindo da capa do Blue até meu sangue correr entre as últimas notas do piano triste de The Last Time I Saw Richard.
Tudo isso em 1970.
"vamo casar com ela? A gente ia ter um gato, uma chaleira com café numa casinha em Laurel Canyon e um Saltério dos Apalaches pra ela cantar A Case Of You o dia inteiro pra gente".
Sei lá, de repente chegou aquela sensação que vem de lembranças guardadas dentro de bolsos e caixinhas, a cor verde de roupinhas de aniversário, pingentes de gelo que derretem no telhado quando chega o verão, vasos de florzinhas vagabundas guardados em estantes que cheiram a madeira antiga. Tive aquele frio que corre as veias dos pés quando a gente acorda pela primeira vez, um barril de porquês que eu podia beber o dia inteiro e ainda assim ficar de pé.
Eu sopraria bolhas de sabão no meio da sala, dançaria descalça por cima do tapete de retalhos coloridos e me pintaria daquele azul lindo da capa do Blue até meu sangue correr entre as últimas notas do piano triste de The Last Time I Saw Richard.
Tudo isso em 1970.
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sexta-feira, 18 de março de 2011
domingo, 13 de março de 2011
Big Sur, 1969
John Sebastian, Graham Nash, Joni Mitchell, David Crosby e Stephen Stills no Big Sur Folk Festival, 1969Só queria estar nessa plateia queimando os cabelos no sol e cantando Get Together! Por favor, enterrem meu coração na curva do rio! : (
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quarta-feira, 9 de março de 2011
Help Me
No dia que eu me cansar de postar vídeos da Joni, eu largo tudo e vou viver como eremita no deserto de Gobi!
Adoro a forma que ela canta essa música: às vezes as palavras saem tão rápidas que dá pra ouvir sua respiração louca entre as letras no ritmo forte de uma melodia nada pretensiosa.
Adoro a forma que ela canta essa música: às vezes as palavras saem tão rápidas que dá pra ouvir sua respiração louca entre as letras no ritmo forte de uma melodia nada pretensiosa.
I'm in trouble
'Cause you're a rambler and a gambler
And a sweet taIking ladies man
And you love your lovin'
But not like you love your freedom
LINDO.
terça-feira, 8 de março de 2011
Wanderlust

eu nunca pedi para ser sua montanha.
Foi no minuto que a gente ouviu aquela canção misteriosa que fez as borboletas balançarem dentro do nosso estômago, o gosto metálico do que nunca pudemos ter pedindo para sair nos gritos mudos que só a gente ouvia.
Ferimos os pés em cercas de arame farpado, escrevemos textos absurdos com spray lilás nas asas de uma borboleta, desejamos que o dia se dissipasse só para ver o próximo chegar;
Ferimos os pés em cercas de arame farpado, escrevemos textos absurdos com spray lilás nas asas de uma borboleta, desejamos que o dia se dissipasse só para ver o próximo chegar;
E a gente nem se lembrava muito um do outro: eu sabia que todo o meu sofrimento corria solto sobre seus joelhos na luz daquela festa que só existia na sua cabeça;
Eu me lembro daqueles últimos quinze minutos passados num fone de ouvido, 46 discos em músicas de um minuto, a graça e a ansiedade pelo que vinha a seguir. Hahaha, Music From Big Pink e Blood On The Tracks ainda estão na minha cabeça como fotos quentes tiradas ao meio-dia. Várias mãos nos empurrando para fora, aquele riso idiota que vem nas situações mais inesperadas.
E eu abracei o que já era inevitável numa fúria bêbada vestida em blusa vermelho-sangue, os lapsos me atropelando em visões cinzas que eu só tocava depois que o branco desapareceu da minha retina embaçada de orgulho ferido.
eu nunca pedi para ser sua montanha.
Eu nunca achei que fosse fácil ser corajosa, como quando descobri o gosto da adoração e tudo o que me trouxeram foram espadas, martelos e agulhas. "A woman must have everything", não é assim que eles dizem?
E sim, eu achava que parecia ingrata com meus dentes enterrados nas mãos, mas isso era só para me lembrar do que eu ainda não conseguia desistir.
A gente não compartilhou nada, não viveu nada, não formou uma palavra de catorze letras ou viu as cordas daquele baixo nunca comprado. E eu sabia que, durante todo esse tempo, minha alma permanecia presa numa caixa vagabunda debaixo da cama.
Eu nunca contei meus desafios ou minhas vitórias numa sombra de conquistas de cor escarlate.
Eu nunca me curvei diante das possibilidades abertas na palma da minha mão.
eu nunca pedi para ser sua montanha. Nunca.
Eu me lembro daqueles últimos quinze minutos passados num fone de ouvido, 46 discos em músicas de um minuto, a graça e a ansiedade pelo que vinha a seguir. Hahaha, Music From Big Pink e Blood On The Tracks ainda estão na minha cabeça como fotos quentes tiradas ao meio-dia. Várias mãos nos empurrando para fora, aquele riso idiota que vem nas situações mais inesperadas.
E eu abracei o que já era inevitável numa fúria bêbada vestida em blusa vermelho-sangue, os lapsos me atropelando em visões cinzas que eu só tocava depois que o branco desapareceu da minha retina embaçada de orgulho ferido.
eu nunca pedi para ser sua montanha.
Eu nunca achei que fosse fácil ser corajosa, como quando descobri o gosto da adoração e tudo o que me trouxeram foram espadas, martelos e agulhas. "A woman must have everything", não é assim que eles dizem?
E sim, eu achava que parecia ingrata com meus dentes enterrados nas mãos, mas isso era só para me lembrar do que eu ainda não conseguia desistir.
A gente não compartilhou nada, não viveu nada, não formou uma palavra de catorze letras ou viu as cordas daquele baixo nunca comprado. E eu sabia que, durante todo esse tempo, minha alma permanecia presa numa caixa vagabunda debaixo da cama.
Eu nunca contei meus desafios ou minhas vitórias numa sombra de conquistas de cor escarlate.
Eu nunca me curvei diante das possibilidades abertas na palma da minha mão.
eu nunca pedi para ser sua montanha. Nunca.
(1979)
domingo, 27 de fevereiro de 2011
My Old Man
Canta pra mim, Joni. Canta pra mim e pro Graham Nash.
"He's my sunshine in the morning
He's my fireworks at the end of the day
He's the warmest chord I ever heard
Play that warm chord, play and stay baby"
He's my fireworks at the end of the day
He's the warmest chord I ever heard
Play that warm chord, play and stay baby"
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quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011
Educação?
"Ela se critica e então se sente lisonjeada.
Você imita o melhor e o resto, só memoriza.
Os momentos em que ela mais impressiona
Sao exatamente aqueles em que ela nem tenta.
Mas ela vai sempre tentar." (1972)
Você imita o melhor e o resto, só memoriza.
Os momentos em que ela mais impressiona
Sao exatamente aqueles em que ela nem tenta.
Mas ela vai sempre tentar." (1972)
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quarta-feira, 29 de dezembro de 2010
Capítulo IV

Envolvida em máscaras de papel vermelho e pulseiras feitas de contas de terços partidos, olhei para meus calcanhares em carne viva, e senti que podia me despir de qualquer sensação vinda de meus olhos cansados e simplesmente sorrir.
Eu não precisava que ninguém chegasse perto de mim, soprasse em meu rosto para que, enfim , eu visse o que estivesse à minha frente sem as dores de minha miopia triste;
Lambi a palma de minha mão esquerda e senti o gosto amargo do tempo passado entre dias e noites envolvidos nos véus de minha imaginação sem asas;
Repeti minha palavra favorita cem vezes seguidas até seu significado se perder em minha língua e eu cair tonta com suas sílabas em minha cabeça;
No final, ouvi A Case Of You na vitrola velha escondida na cortina branca de minha casa vazia. Só eu e aquela capa azul.
Eu não precisava que ninguém chegasse perto de mim, soprasse em meu rosto para que, enfim , eu visse o que estivesse à minha frente sem as dores de minha miopia triste;
Lambi a palma de minha mão esquerda e senti o gosto amargo do tempo passado entre dias e noites envolvidos nos véus de minha imaginação sem asas;
Repeti minha palavra favorita cem vezes seguidas até seu significado se perder em minha língua e eu cair tonta com suas sílabas em minha cabeça;
No final, ouvi A Case Of You na vitrola velha escondida na cortina branca de minha casa vazia. Só eu e aquela capa azul.
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terça-feira, 14 de setembro de 2010
"End of summer/ No more shiny hot nights..."

For the Roses (1972) é um daqueles álbuns para serem ouvidos com o gosto amargo de confissões ocultas sobre a língua e a tristeza do olhar fixo sobre as coisas perdidas. Ainda há espaço para encontrar o som doce dos murmúrios nas cordas de seu violão, que toca como dor escondida sobre a pele, e no verde maduro que arde na foto da capa, de autoria de Joel Bernstein.
Aqui, aparece a capacidade de Joni partir o coração de quem a ouve, fazê-lo sorrir (nem que seja um sorriso partido) e ainda atingir o centro do que nos faz sentir o que nos chega através do pensamento. São canções para serem tocadas com as duas mãos e soltas através de ideias que você sabe que não vão durar muito.
Aqui, aparece a capacidade de Joni partir o coração de quem a ouve, fazê-lo sorrir (nem que seja um sorriso partido) e ainda atingir o centro do que nos faz sentir o que nos chega através do pensamento. São canções para serem tocadas com as duas mãos e soltas através de ideias que você sabe que não vão durar muito.
Pelas rosas.
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