Mostrando postagens com marcador hã?. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador hã?. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Et Si Je M'en Vais Avant Toi


Uma garrafa de vinho, palavras em francês e um cigarro, por favor, porque já tá tudo explodindo nas minhas mãos.

e sim, eu estou bem na frente.

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Meio-dia atrás das pálpebras


eu devia ter ficado naquele travesseiro laranja só para provar que eu não tinha perdido o mapa que me levava ao que me atingia do chão à cabeça.

Nem vou tentar acusar ninguém de acabar com tudo, fingir que está tudo bem, colar embalagens doces de balas de morango no fundo da bolsa, está tudo ótimo, como se pode chorar sem ter um motivo?

o melhor é levar a vantagem, fazer pose bonitinha para uma foto de mentira, sair para comprar sapatilhas de veludo vermelho, remédio verde para sentimentos azuis.

pedi para colocarem tudo numa caixa branca e enterrarem bem longe - cuspam e joguem fora.

De novo.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

alarme falso


Manon 70

Tenho uma breve lembrança

eu atravessava apressada uma rua movimentada de Berlim ou São Paulo (?) e discutia com alguém toda a filmografia da Catherine Deneuve. Ninguém olhava para os lados, a gente só falava de La Chamade e Manon 70!

Vieram-me à cabeça a Françoise Dorléac e a vontade louca de assistir a Cul de Sac. Audrey Hepburn olhando para o chão com um copo de café e o cheiro da poeira de Mr. McCabe & Mrs. Miller fazendo-me espirrar nas imagens em tom sépia.

cantei So Long, Marianne pensando que o Leonard Cohen estava bem pertinho dali.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Mea Culpa


Desculpa se não olhei para a cara das pessoas no sábado passado.

Eu estava bêbada, fumando e pensando em como o Al Pacino tava lindo em O Poderoso Chefão (e em praticamente todos os filmes que ele fez na década de 70).

domingo, 17 de abril de 2011

Cor: azul


Tive um sonho tão bobo nessa última tarde. Não, na verdade foram sonhos dentro de sonhos, uma massa amorfa que ainda está presa no meu inconsciente confuso. Enfim, num desses sonhos minha mãe entra no meu quarto, me acorda e diz que a Joni Mitchell está na sala, quer pintar um quadro e falar comigo. Comecei a chorar e a tremer, pus as mãos no rosto e senti o cheiro do shampoo nos meus cabelos lavados na noite anterior.

Levantei e comecei a escolher qual disco dela eu levaria para ser autografado. (Por incrível que pareça, no sonho eu tinha todos, quando, na realidade, o único disco original que eu tenho é o Hejira.) Escolhi o Clouds, The Hissing Of Summer Lawns e o Shine. Esse último eu nem sabia que tinha, encontrei debaixo de um disco do Neil Young (?).

Eu me lembro até das perguntas que eu faria: "Pra quem você escreveu Woman Of Heart and Mind? My Old Man era pro Graham Nash? E Raised On Robbery? Adorei o fato dessa música ter sido escolhida como single!"

Corri para o corredor, mas minha mãe disse que ela já tinha ido embora. Demorei demais pensando no que poderia acontecer. Tudo que me lembro era da jaqueta jeans azul clara que a Joni estaria usando, da franja em sua testa e do seu batom vermelho. As únicas coisas que me ficaram foram o cheiro de cigarro sobre o sofá e a xícara de café vazia com dois pincéis sujos de tinta azul.

Banquet (1973), de Joni Mitchell

Depois disso, chegaram sonhos atrás de sonhos, eu chorava, ria, sentia calor e frio, começava e terminava, vivia e morria, acordava para depois dormir de novo. Num deles, fui à biblioteca do meu antigo colégio, aluguei uma biografia gasta da Clarice Lispector, quatro livros velhos sobre a Sylvia Plath e ainda tentei levar um CD do Crosby & Nash que eu nunca tinha visto (não, ele não existe!), mas não consegui.

Nem sei, mas acho que esses sonhos vieram para me falar da natureza das minhas escolhas, dos sentimentos loucos que tomam conta de mim quando me atrevo a guardar meus medos e problemas no lugar de tirá-los do meu caminho, de continuar o que havia parado, de correr riscos, de cair cega, surda e muda. Eu ampliei minha sensibilidade.